... mas não é. É só uma coincidência, afinal, não posto aqui desde
shame on me abril. Serei menos relapsa, procrastinadora, escrota, irresponsável e
bitch. Opa, esse último não.
Um amigo me disse ter lido em um e-mail que, em alguns anos, os islâmicos perfarão uma porcentagem assustadora da população mundial. E nada de guerras ou uso de qualquer força: isso se dará só com o aumento natural (e exponencial) da populaçao fiel e conversões. E aí eu parei pra pensar: mas por que caralhos uma pessoa se converte ao islamismo? Ou a qualquer outra religião não-legal
(as religiões do extremo oriente, em geral, não costumam me desagradar de todo)?
Deve haver vários caminhos que levam à conversão: aquilo que eles chamam de experiência espiritual; um momento de desespero na vida em que nada mais parece fazer sentido; e... er... tédio mortal e completa inaptidão para qualquer outro
hobby? Porque eu não consigo deixar de pensar na religião como uma espécie de
hobby superestimado, como um escapismo da vida real. Há os
otakus, os escritores, os poetas, os geeks e os religiosos. E os religiosos são piores que o os
otakus. Não tem ofensa mais ácida. Não entra na minha cabeça que haja quem realmente acredite em noções como castigo divino, céu e inferno. A não ser, é claro, quando lhes é muito conveniente. Mas vamos parar de divagar que eu já estou desgraçando o post com as minhas costumeiras digressões.
Experiência espiritual, o que é isso? Eu já vi pessoas caindo de joelhos diante de um hostensório gritando, chorando, tremendo e pedindo perdão, como se naquele momento Deus, Maria, Jesus, a pomba e os carneirinhos do presépio tivessem descortinado todas as coisas terríveis e indesculpáveis que os sujeitos em questão tivessem feito na vida. Eu não sei se o meu ceticismo é forte a ponto de negar completamente a existência de algo como isso, mas eu sempre tendo a acreditar que essas tais experiências não passam de catarses que vão pelo caminho fácil. É bem mais cômodo e soa muito mais bonito vir com esse papo de que a força maior notou que minha vida estava fora dos eixos e veio em meu auxílio. Dizer que você se arrependeu de todos os seus pecados porque o Todo-Poderoso te fez vê-los é muito mais digno do que admitir que um belo dia algo te fez perceber que você era um merda completo e que estava na hora de dar um jeito na bagunça da sua vida. Com uma justificativa tudo fica mais fácil. Com uma justificativa cósmica, então, pff. Brincadeira de criança.
Há quem opte pela religião quando a vida está totalmente fodida, quando caminho nenhum faz sentido. É mais ou menos a mesma coisa da experiência espiritual, só que sem a parte mística da coisa. A pessoa simplesmente decide que o único jeito de resolver os problemas é negociar diretamente com O Criador. Aí entram um monte de conceitos geniais criados pelas formas organizadas de religão:
~ É necessário que você seja uma pessoa boa, mas não precisa ser, assim, essencialmente bom. Todo o lance do fruto proibido fez com que a estirpe de Adão e Eva se tornasse pecadora, logo, errar é permitido, embora não seja exatamente indicado. Mas errando, você pede perdão e está tudo
okey. Você pode até mesmo deixar pra pedir perdão lá no fim da vida, quando já tiver esculhambado tudo o que tiver pra esculhambar. Prático. Simples. Religiosos são publicitários que não descobriram suas verdadeiras vocações. Fato.
~ Aliás, sobre esse lance de ser perdoado, na Igreja Católica, se você comparecer nos dias certos, se pagar seu dízimo, sua oferta, todas essas coisas bem bonitinho, você pode até conseguir o dom da indulgência plenária. É ou não é genial? Uma espécie de liquidação de perdão todos os dias! Talento puro e simples para o
marketing brilhando muito no Vaticano, beijos.
~ Sempre que um religioso faz algo de bom, não foi bem ele quem perpetrou o ato. Na verdade, foi o Espírito Santo que, entidade incorpórea, precisa de uma via humana, humilde e disposta para poder espalhar bondade, perdão e todas essas coisas legais por aí. Mas o religioso não pode deixar o cachimbo cair, porque ele é marcado com a mancha do pecado original. Logo, tem que fazer sempre fazendo a putinha do Espírito Santo na hora em que a pomba-gira
(inserir sincretismo no texto, ok) quiser, para servir de via da bondade divina. Senão, né, pecou. E vai ter que pedir perdão, para não ser castigado. Mas, pera, você não pode pedir perdão a qualquer momento? Pera, pera, Deus não castiga, ele só nos dá o que merecemos. Não, calma aê, na verdade Deus é infinitamente misericordioso e não faria uma coisa dessas com seus filhos. Mas, hm, Deus matou seu filho, o sal da terra e a luz do mundo, pra salvar todos os outros. E teve os primogênitos, que eram só crianças e teve o dilúvio, e er... hm...
então.
~ Isso me lembra esse negócio de Deus chutar Lúcifer lá de cima. Então Lúcifer queria ser maior que Deus, certo. Já notaram que os livros sagrados podem ser metafóricos ou literais dependendo dos interesses dos religiosos ou do tema da conversa? Então. Esse lance de Lúcifer, pra mim, é bem metafórico. Então Deus cria um anjo que é o mais belo de todos e o chama de
~ Estrela da Manhã ~. Não dá pra não pensar em gayporn, não dá. Lúcifer foi derrubado com todo o seu séquito porque Deus cansou de ser passivo. Ele queria comer também e começou uma DR. Fato. A prova cabal? Sodoma e Gomorra destruídas.
God, I know what you did here, seu mal-comido.
~ Continuando o parágrafo anterior, se você faz algo certo, Deus te iluminou. Se você faz algo errado, o demônio te tentou. Aliás, por que é que se escreve demônio com minúscula? Eu vou escrever com maiúscula, o cara é o antagonista! E, vamos respeitar, tirando os aspectos freudianos da coisa, ele é bem mais interessante que o protagonista, hein? Então, com maiúscula: Demônio. Mas, voltando, o bom é de Deus, o ruim é do Capeta. Você nunca tem mérito ou culpa. Viver assim é muito, mas muito confortável. Estou aqui me perguntando por que diabos eu não me converto agora mesmo. Ser atéia ou agnóstica e responder pelos meus próprios atos é
sooooo last week. Sou humana, fraca, falível, manipulável. Até aí todo mundo é. O que eu não sabia é que as entidades deísticas podem responder por mim.
Great. TÁ TUDO BEM AGORA, ENTEI.
~ Em tempo, esse negócio de
Pokémon é pecado, viu? Incita a violência nas nossas crianças puras que precisam ser criadas longe de qualquer manifestação negativa, porque, né, vivendo através dos desígnios de Deus Pai, eles jamais precisarão se indispor contra coisa nenhuma e suas vidas serão como aquelas colinas que aparecem nas paisagens européias: verdes, cheias de flores, árvores, o céu azul, os pássaros voando, o amor divino transcendendo qualquer coisa. Aliás, crianças, qualquer coisa, gritem por Papai do Céu que ele resolve. Se defender por si mesmo e aprender a usar/lidar de/com agressividade está fora de questão. Pra que aprender a lidar com qualquer coisa dessas? Seus pais estarão ali durante toda a sua vida e você deverá satisfações eternas a eles, mesmo, tá lá nas tábuas
(quê? Não tá? Acho que você não pegou o espírito: o que você quiser estará nas tábuas na hora em que você precisar. Questão de retórica, querido). Qualquer coisa você chama sua mãe. Ela é a personificação de Maria, mãe de Jesus, saca? E seu pai é José. Meio corno, aliás, porque no fim das contas você é filho é de Deus. Quase ninguém liga de ser corno pra Deus, é meio que uma honra. Que nem aquele cara cuja esposa foi beijada pelo Bono Vox aqui no Brasil. Ele foi corneado com o Bono Vox, não com o filho do Seu Zé da padaria, sabe? Outro departamento. Se você ligar de ser corno pra Deus, além de herege, você é um
loser, vai por mim.
Agora, quando a pessoa resolve se converter ao islamismo ao invés do catolicismo, a coisa já é mais tensa. Porque ela está com tanta vergonha de si mesma que quer passar o resto da vida atrás de uma barba ou de uma
burka. Essa aí realmente não tem um real de apreço pelo próprio traseiro e só uma palavra pode definir sua auto-imagem: escória. Se submeter às mais duras regras, rezar não sei quantas vezes por dia, oprimir a esposa (ou ser subjugada pelo marido), sair por aí ordenando a
fatwa a cartunistas ou escritores que mexeram com seu profeta... TENSO. Acho que a pessoa que cogita uma coisa dessas deveria considerar seriamente a idéia de tentar ingressar no BOPE. A essência é a mesma, só muda de
Jihad.
Tá, tá, eu faço posts menores, mais coesos e coerentes numa próxima.